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quarta-feira, 13 de abril de 2011

NEM TUDO SÃO FLORES

Algumas vezes tenho a impressão que o meu corpo trabalha contra o emagrecimento. É preciso ter muita força e empenho para continuar empenhada nesse projeto. Estou precisando de consolo e alternativas pois meu joelho esquerdo desanimou e não está querendo continuar a academia. Desde a última segunda sinto dores e depois de muito tempo ficando em pé começo a mancar.
Estou com medo. Sei que o movimento está sendo fundamental para me estimular.
Hoje pesei novamente. Mantido o número da semana passada. É um pouco frustrante porque imaginei que o ponteiro abaixaria. Porém, se não aumentou, estou no lucro.
Tenho momentos de irritação intensa. Noutros, fico desanimada. Quando recobro a consciência e fico dona da casa, dos meus pensamentos, entendo que é preciso ter paciência e deixar o tempo colaborar no ritmo dele. Estou persistindo e isso é uma virtude. Sempre fui muito entusiasmada para começar a fazer coisas novas. Agora, com o blog e o plano de emagrecimento estou aprendendo dar continuidade, a entender o valor do meio do caminho.
Escutei muitas vezes que para mim "era 8 ou 80". Eu concondo. Sou intensa para gostar e para fazer. Começo a descobrir o valor do 30, do 40 e do 50. Acho que isso se chama moderação. Seguir um plano alimentar depende muito de diplomacia, de negociação com o estômago e com o desejo. Então, continuo repetindo o meu mantra: emagrecer é muito mais do que eliminar kilos.
Um corpo diferente, despido da gordura, precisa de um ambiente que lhe dê sustentação. É preciso colocar-me a trabalho para criar as condições (ou seriam permissões?) mentais para acolher um novo jeito de ser e me ver bem, sem os excessos.
Não estou disposta a trocar a compulsão por comida por qualquer outro tipo de compulsão. Julgo que não está em melhor estado quem joga, bebe, fala, arrisca-se ou compra de maneira descontrolada. Estou em busca de viver em paz com meu corpo, meu tempo e minhas posses. Minha meta é emagrecer mais 17kg. Ficarei acima do chamado peso ideal para a minha altura. Porém, acho que essa é uma meta real, possível de ser realizada e mantida nos próximos anos.
Para terminar, queria contar que acabei de ler "ORGULHO E PRECONCEITO"  de Jane Austen, a autora lida pelas personagens do filme "CLUBE DE LEITURA", assunto do meu último post. Adorei a história, romantismo puro, transporte para um tempo pausado, manso, de cartas escritas diariamente e de diálogos longos. Comparei com o nosso tempo e fui lembrando do twiter - 144 caracteres para contar sua história. As mulheres viviam sob exigências sociais muito rígidas, porém, sem tantas expectativas como na atualidade. Ninguém precisava ser multifuncional para amar e ser amado. Precisamos pensar se as trocas valeram. Afinal, nesses tempos de independência, nem tudo são flores.
Até amanhã!

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Desejar o mais que perfeito

Acabo de ter uma intuição poderosa. Fracassei em diversas tentativas de emagrecer por acreditar que deveria fazer tudo no superlativo: certíssimo, pontualíssimo, contadíssimo... Desejei apenas o mais que perfeito. Uma forma encantadora de sabotar minhas iniciativas e permanecer no conforto da falta de ação.
Pensei nisso porque hoje dei uma bela tropeçada. Fiquei na rua muito mais tempo do que esperava, senti fome e devorei salgados fritos de lanchonete. Um motivo aparentemente justo para dizer: "não tem jeito mesmo, não consigo". Mas acordei! Agora à noite voltei à rotina, elegantemente, como se não tivesse tropeçado. Olhei    para a frente, foquei o caminho e andei. Para chegar onde quero, vou ter que conviver e superar os atropelos da estrada.
Em todas as situações da vida aceito os percalços com dignidade. Não deu para terminar hoje, termino amanhã. Não foi possível ter hoje, outro dia a gente compra. Fiz uma escolha errada, como faço para sanar? Vou me ajeitando dentro das possibilidades, acertando ou aceitando quando tudo sai pior do que o esperado. "Um dia feliz às vezes é muito raro", já cantava o Jota Quest. Com um programa de emagrecimento não seria diferente. Essa reflexão altera toda uma forma de agir, cutuca os meus sentimentos mais profundos. Acho que encontrei hoje uma chave que abre a possibilidade de ser tolerante comigo. Quem sabe a tal da determinação que estou buscando seja a soma da paciência nossa de cada dia?
Até amanhã! Obrigada por estar comigo nessa empreitada.

Um resumo da ópera

Senti a necessidade de organizar as reflexões até aqui. Pensei em muitas possibilidades, algumas fizeram mais sentido, outras eu descartei. Estou falando da avaliação que fui fazendo ao longo desses quase cinco meses do blog.
Olhei com verdade e doçura para meus hábitos, comecei a conversar com cada um e estou montando o meu plano de emagrecimento. Nada da história da canção do Roberto: "DAQUI PRA FRENTE, TUDO VAI SER DIFERENTE..." Apenas entendi que preciso pensar e agir para emagrecer. Minhas opções de vida me conduziram ao meu estado atual. Não foi uma boa escolha. Então, suavemente, apoiada nas mãos da consciência e das escolhas corretas quero ter de volta meu corpo ágil e sem dores.
Após alguns ítens, coloquei o link da postagem em que refleti sobre o tema, para facilitar a leitura caso alguém queira caminhar comigo nessa busca.

Primeiro: Entendi que a falta de rotina, de horários regulares para acordar, alimentar e dormir não permitiam seguir um plano alimentar. Estou atenta e criei esses limites. Funcionou muito bem nesta semana. Hoje, já dei uma passada de olhos na agenda e programei as atividades da semana respeitando o tempo de comer e repousar.
http://silviaesilvia.blogspot.com/2010/12/liberdade-ou-indisciplina.html

Segundo: Posso criar um tratado filosófico sobre obesidade, mas emagrecer depende mesmo é de ter respeito a um plano alimentar com uma quantidade menor de calorias a ingerir e mexer o corpo. Renunciar à comida não é fácil como acreditei ao criar o blog. A determinação, a persistência e a disciplina são qualidades a desenvolver. Isso pesa, né? Então tenho pensado no lado bom de desenvolver essas virtudes e os ganhos que posso ter. Eles vão muito além da perda de quilos. É criar um jeito novo de ver e vencer os desafios da vida.

Terceiro: Esforçar durante a semana e tomar cerveja no sábado e domingo é postergação ou sabotagem. Abri mão. Estou a caminho de novas diversões.
http://silviaesilvia.blogspot.com/2011/02/cerveja-e-fim-de-semana.html

Quarto: Busquei uma atividade física que gostei, perto de casa, identifiquei com a professora, matriculei-me em um horário sem chance de ter compromisso de trabalho. Verifiquei todos os detalhes possíveis para evitar parar.
http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=204541501650993153&postID=3428398181111050412

Quinto: o período que passei do sobrepeso para obesidade coincide com o uso de medicamentos antidepressivos. Assim, pretendo intensificar aos poucos a programação de atividades físicas, por ser esse o tratamento complementar mais poderoso para a doença. Atividades aeróbicas fazem o corpo liberar mais neurotrasmissores que promovem bem estar. Planejo buscar tratamentos alternativos,tudo com acompanhamento médico, para eliminar os antidepressivos ou, pelo menos, diminuir a dosagem. No começo do blog fiz uma linha do tempo, inclusive com fotos, em que ficou muito evidente como engordei de um ano para o outro, justamente quando comecei a usar remédios.
http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=204541501650993153&postID=8412354087109502086


Sexto: a escrita me ajuda a organizar as idéias e diminui o burburinho interno. Isso é um tchau para a ansiedade.

Sétimo: fazer trabalhos manuais relaxa e distrai a atenção da comida. Resulta em menos ansiedade e menos compulsão.
http://www.blogger.com/posts.g?blogID=204541501650993153&searchType=ALL&txtKeywords=&label=artesanato+para+emagrecer


Oitavo: emagrecer é viver um estado de bem estar com o corpo e emoções. Para mim, está muito além de seguir uma dieta durante um tempo. É preciso fazer as pazes com o tempo e até com um pedaço de maçã. Sentir o cheiro, a textura, a temperatura, os gostos. Isso requer fineza de espírito. É preciso renunciar à pressa e à brutalidade.

Uma boa caminhada, não acha? Sinto-me bem com essas reflexões e pronta para fazer diferente.
Até amanhã!

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

O BALANÇO E A BALANÇA

Meu balanço
Vou me despedindo de 2010 sem saudades, sem grandes aventuras ou realizações para relembrar. Não tive aquelas conquistas tipo viagem dos sonhos, casa nova, trabalho novo, essas coisas que empenhamos muita expectativa. No dicionário pessoal o sinônimo de 2010 talvez seja DISCRETO. Porém, meu coração está cheio da certeza foi um ano muito positivo. No silêncio, bem quietinha, fui dando vida a esse blog e ele me retribuiu precocemente. Recebi muito carinho e apoio do Fernando, das minhas filhas e em especial da minha querida Tia Jane (ela é minha irmã-mãe, para quem não sabe).
Conquistei amigas verdadeiras, aquelas com quem podemos dividir os segredos, minha prima Nathália merece destaque. Tem sido uma grande incentivadora e fora do blog temos os nossos bate papos mais íntimos.
Reencontrei minha prima Simone, minha melhor amiga de infância, que está tão longe, estudando, e há mais de 20 anos não nos vemos pessoalmente. Como diz aquela propaganda do cartão de crédito "isso não tem preço". No dia que achei seu primeiro comentário reli muitas vezes para repetir a amoção desse encontro.
Retomei o contato pessoal com diversas amigas na medida em que ia divulgando, elas lendo e assim fomos marcando nossos encontros, telefonamos mais vezes.
Recebi com tanta alegria os comentários! Cada um foi motivo para ir adiante, vencer o sono e dar asas às minhas idéias. Postar foi uma chance preciosa de espalhar meu carinho para pessoas que eu não sabia antes como alcançar.
O maior ganho, com certeza, foi o encontro comigo.  Algumas vezes mergulhei, noutras voei ou caminhei com pés firmes as trilhas do cotidiano. Me olhei nos olhos com uma atenção de uma mãe que cuida bem de sua filha. Vi sentimentos e pensamentos bonitos, feios, bons, maus, mas reconheço nesse conjunto uma vontande de ser uma pessoa bacana, de bem com a vida, com as outras pessoas e pronta para servir.
Há muitos anos escutei um dito popular: "quem não vive para servir, não serve para viver". Achava muito pesado! Recusava. Aqui no blog reencontrei o poema da Gabriela Mistral "Toda natureza é um serviço..."
Dê uma olhadinha no post:
Então, a noção de servir ficou positiva, ficou muito mais bacana do que usufruir.
Concluo dizendo que a rede de informação foi uma boa ferramenta para ampliação da minha vida afetiva e evolução pessoal. Não se restringiu ao uso para consumo, trabalho ou diversão. Achei o meu lugar nela e assim pretendo prosseguir.

QUANTO À BALANÇA...

Ficou para 2011 o trabalho para emagrecer. Estou certa que a reflexão desnudou os maus hábitos e o valores que associei ao ato de comer. Mas emagrecer pressupõe ação, movimento e escolha. Nesse sentido estou pronta para o início da empreitada.
Acreditava, quando comecei a postar, que a calma proporcionada por esse momento seria suficiente para me fazer renunciar ao excesso de comida. Via com essa simplicidade: sem ansiedade, darei menos mordidas ou garfadas. Não funcionou para mim. Então, continuo escrevendo mas vou para uma academia e terei acompanhamento semanal para fazer dieta e atividade física.
Até mais.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Uma imagem que valeu pra toda a vida

Aos seis anos de idade pedi ao Papai Noel que me desse um carrinho de bonecas. Eu o vi na loja, admirei por muitos dias, sonhei e escrevi a cartinha com o pedido. Até então, acreditava que o brinquedo exposto na loja era um mostruário providenciado pelo bom velhinho para que as crianças pudessem fazer suas escolhas. No dia do Natal chegaria em casa o presente verdadeiro, direto da fábrica de Noel e entregue pelas mãos dele.
Passava as noites de Natal na roça. Poderia chamar de sítio esse lugar encantado onde vivi meus primeiros anos e de onde desejei sair tão cedo. Mas esse nome não combina. A inscrição no meu coração é da nossa roça. Hoje vejo o quanto gosto daquele cantinho de mundo e como ele é muito mais presente na minha memória afetiva do que poderia imaginar.
De lá herdei lembranças que inspiram o meu gosto por transformar, minha habilidade para criar e agregar. Tive o privilégio de assistir e encantar com os frutos virando doces. O leite sendo processado para ser queijo, manteiga ou requeijão. Esses viravam um pouco mais de dinheiro para a família. Inclusive para os presentes de Natal que nunca me faltaram. Vi cana virando açucar, café sendo torrado e moído. Depois os dois se juntavam para virar o líquido precioso que saciava os trabalhadores ou animava os bate papos com as visitas. Enfim, a transformação era a ação mais presente no meu ambiente infantil.
Voltando ao Natal do meu carrinho, lembro que a chuva caiu sem parar na véspera e na própria noite. Como de costume, destruiu a estrada que dava acesso à cidade.  Tive muito medo de papai Noel não conseguir chegar...
A família estava toda reunida. Nessa época todos os meus irmãos já eram adultos e moravam em outras cidades. Eu já era uma titia. Meus melhores amigos eram os sobrinhos Ricardo, Ângelo e Lúcio.
A festa corria solta. Música, conversa alta, comida, bebida e... chuva... muita chuva. Meu irmão aumentava minha ansiedade reafirmando que Noel não conseguiria chegar.
Posso ver o aperto do meu coração. O medo do sonho não se realizar. Uma apreensão tão forte que deixou suas marcas.
A festa acabou, todos se deitaram e eu não dormia, pensando se Noel conseguiria vencer as agruras da estrada, ou se desistiria, levando  de volta meu presente.
Não sei como, minha insônia foi percebida pela minha mãe, que estava em outro quarto. No meio da noite, como um anjo, ela me pegou no colo, me levou até a sala e me mostrou meu carrinho, bem ao lado da árvore de Natal. Senti tanto alívio que antes dela completar os dez passos para me colocar de novo na cama eu já tinha dormido. Lembro apenas daquela visão iluminada do meu carrinho, do alto do colo da minha mãe.
Gostaria que minhas filhas pudessem ter uma lembrança tão linda como essa. Quando passo pelos pequenos e grandes apuros da vida eu busco essa imagem. Um anjo me retirando da angústia para me mostrar que o presente está lá.
Esse post é uma homenagem aos meus pais e irmãos. Sinto hoje a mesma alegria e ansiedade da infância. Vou reencontrá-los e isso me deixa muito emocionada. Embora minha mãe e pai já tenham falecido, nas celebrações com os outros familiares reencontrarei toda a força do seu afeto. Eles estarão vivos através da atenção que dedicamos uns aos outros. Eles permanecem entre nós no nosso gosto por estar juntos. Dona Néria e Sr Luizinho se tornaram eternos no nosso jeito de festejar, de conversar e de sentir o problema do outro na própria carne.
Preservar esses valores é dar de presente, principalmente para as novas gerações, o refresco da alegria de conviver, de compartilhar, de superar conflitos, de agradar ao outro para se agradar. No fim da história, acho que isso é amor.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Uma bicicleta pode ser um veículo para conhecer o mundo

Assisti  no jornal nacional de hoje uma reportagem sobre o teatro de bonecos que está acontecendo em Brasília. Os espetáculos são muito interessantes. Nas montagens, os objetos têm funções totalmente originais e buscam resgatar a visão infantil das coisas. Quando somos crianças, olhamos para uma bicicleta e enxergamos um veículo para conhecer o mundo. Um baldinho virado transforma-se em um castelo ou um chapéu. A proposta de cada peça é  buscar uma forma de interação bem original entre os personagens e os objetos.
Na minha infância, um cabo de vassoura podia ser uma espada ao um cavalo. Latas vazias de extrato de tomate podiam virar tamancos. O mundo das possibilidades era criado e recriado, um exercício agradável e útil. Um galho de árvore, um andar mais alto de um prédio luxuoso.
Hoje me valho desse exercício criativo para inventar soluções para o dia a dia. Diante de uma situação problema tento pensar em três soluções possíveis, no mínimo. Aliás, esse era um desafio que um antigo chefe, muiiiiiiiiito antipático sempre me propunha. Na época eu odiava, mas hoje eu amo ter feito esse treino.
Um olhar e muitas possibilidades. Essa é a minha filosofia de vida. Por isso gostei tanto do teatro de objetos.
Voltarei um pouquinho no tempo, lá no meu primeiro post, para lembrar que cada obesidade é única, portanto, requer um olhar individualizado. Quando olho para a minha, vejo que aprendi a olhar para a comida e ver um brinquedo muito divertido. Recebo pessoas queridas sempre em torno de uma mesa posta. Comemoro as pequenas e as grandes conquistas brindando ou comendo um prato especial. Vejo que o objeto transformou-se em um símbolo muito mais importante do que deveria ser. Por isso o teatro de objetos chamou tanto a minha atenção.
Até amanhã!

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

O pensamento me faz bem ao coração

Ando relendo os posts desde o começo. Muitos questionamentos, algumas idéias originais, outras nasceram e não duraram. Tenho sido profunda, verdadeira, e amiga íntima dos meus sentimentos. Aqui eles podem ser e aparecer.
Quando escrevi sobre minha confusão entre liberdade e indisciplina, alcancei um nível de entendimento muito importante. Desde a data dessa postagem estou mais quieta, silenciosa e focada no objetivo de emagrecer. Considero um privilégio essa capacidade de refletir e ficar cara a cara com minhas dores existenciais.
Tem uma música do Zeca Baleiro que diz assim
"Tire o seu piercing do caminho
Que eu quero passar
Quero passar
Com a minha dor
...Eu existo porque penso
Penso porque existo"

Essa mesma letra fala "tristeza não é pecado", título de um dos meus posts.
O Toni Garrido canta (não sei quem é o autor):
"O pensamento
É o que me traz o livramento
O que me deixa positivo
E que faz bem ao coração"

É assim que me sinto. Aceito de boa vontade as dores da alma quando tenho a clareza da sua causa. Tomei um susto ao constatar que tenho um conjunto de maus hábitos para corrigir se quiser ter uma qualidade de vida melhor. Meu corpo se cansou e está reclamando os cuidados que venho lhe negando. Acreditando na autonomia, na independência, na liberdade para manejar meu tempo, tornei-me indisciplinada. Sem rotina para alimentar, dormir, descansar, esticar, respirar. A obesidade é só um dos sinais visíveis dessa inabilidade para seguir uma programação.
Estou de astral baixo, um leve mal estar, mas sem estar mal. Acho que é um estado natural de quem tem um grande compromisso pela frente: treinar hábitos novos, respeitar uma rotina, criar uma acordo de paz entre uma mente inquieta, que adora voar, com um corpo que está pedindo para ser bem tratado.
Assisti e li Fernão Capelo Gaivota, aos 12 anos de idade. Chorava ouvindo o LP e abraçada à capa, que tinha uma linda foto de praia. O personagem central tinha um apreço enorme pela liberdade e era totalmente desapegado das necessidades materiais. Ele não entendia como as outras gaivotas do seu bando podiam se ocupar apenas com a subsistência se tinham todo o céu para voar. Essas idéias produziram um eco forte na minha alma de adolescente. A lembrança, retratou com a melhor luz possível o quanto valorizei o lado filosófico ou imaterial da vida: os pensamentos, as idéias e os sentimentos. Descuidei do meu corpo como se ele tivesse menos valor do que minha mente.
A cisão entre corpo e mente nasceu, pelo menos em parte, da minha formação super católica. Fui uma maniqueísta convicta até pouco tempo atrás! O mundo era divididinho em gavetas. Acreditava na completa separação do bem e do mal, do bom e do ruim, do belo e do feio, enfim, do corpo e da mente!
Colocando o assunto em pratos bem limpos, na prática essa teoria toda funciona assim: sou capaz de trabalhar 10 horas seguidas e ainda cuidar da família, ler, blogar, informar, ver filmes, conversar... Porém, acredito que posso deixar para amanhã a caminhada, mas esse dia nunca chega. Todas as noites roubo "um pouquinho só" do tempo do sono. Horário certo para alimentar? Acho que nunca tive! E por aí vai a lista de descuidos, até chegar a dar o bolo na manicure, adiar o corte do cabelo...
Pensar dói! Mas é preferível ao conforto da ignorância.  
Até amanhã! Obrigada a quem chegou até aqui, partilhando minhas angústias. Estou aqui para fazer-lhe companhia quando você também quiser dar vez às suas dores.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Encomendei um bolo para comemorar

Hoje o blog faz 3 meses! Encomendei um bolo virtual para comemorar com vocês!
Imaginei um bolo simples, branquinho, com 3 velinhas, simbolizando a infância do blog, o início da caminhada. Fui ao google e não encontrei. Todos os bolos eram incrivelmente decorados e majestosos, verdadeiras obras de arte! Fiquei curiosa e fui clicando em mais, mais, mais. Vi bolos de todas as cores, formas, temas e personagens. Tinha até um decorado com bonequinhos fazendo sacanagem, em posições tão criativas que poderiam inspirar até diretor de filme pornô. Nunca imaginei a existência um bolo assim. Para qual comemoração ele é destinado? Não sei. Acho que estou ficando antiquada.
Já que não encontrei o bolo simples, branquinho, humilde, feito para simbolizar o afeto, resolvi fazer perguntas.
O simples perdeu o seu lugar?
Precisamos de espetáculos visuais em todas as circunstâncias?
O que simbolizam esses bolos tão arrojados?
Acho lindo o trabalho dos artistas que dão o melhor de si para fazer obras tão perfeitas. O meu estranhamento aconteceu por não encontrar o simples convivendo com o majestoso.
As imagens são lindas, porém, me senti no reino do exagero. Vi o excesso de detalhes e me cansei. Não encontrei nada para repousar o olhar e me sentir em casa. Senti saudades dos bolos da minha infância. Nos sábados, de longe se sentia o cheiro delicioso do bolo rústico, batido à mão, feito com ingredientes puros. Ele sinalizava que era um dia diferente, teríamos o ritual, era necessário reunir para partir. Isso era compartilhar.
Os bolos dos meus aniversários eram branquinhos. Queria muito um redondo, mas não tive. Porém, vivi toda a emoção de ver um bolo sendo preparado e depois enfeitado com o que se tinha à mão, flores, frutas, pastilhas coloridas, para celebrar a minha vida. Eram bolos com pouco enfeite mas repletos de significado.
Teriam os bolos magníficos o mesmo recheio de sentimento?
É bom perguntar, não acha?
Até amanhã!

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Liberdade ou indisciplina?

Ainda não tenho repostas, nem sei se terei, para a lista de ontem. Mas, vou arriscar alguns palpites. Eles foram aparecendo nas laterais das trilhas abertas pelas dúvidas. Ah! Amo as dúvidas!
Pensei hoje que posso estar fazendo confusão entre dois conceitos: liberdade com indisciplina. Aprecio questionar as regras, sentir-me a dona do meu nariz, não ter patrão, expressar com honestidade minhas opiniões... No dia a dia, não tenho tempo marcado para dormir, acordar, comer, ver tv, trabalhar... Acabo de constatar que esse comportamento que me parece muito charmoso, pode estar sendo muito danoso. Se estou amando um livro, um filme, um trabalho ou quando estou entusiasmada com o que estou escrevendo, me permito ir adiante. Vou até a madrugada, me sentindo livre para decidir onde e como dedicar o meu precioso tempo.
Começo a desconfiar que subestimei as consequências físicas dessa forma de agir. Vou dar um exemplo bem prático. Ontem escrevi até de madrugada, antes de deitar fiz um lanche porque estava faminta. Na sequência dormi mal porque me sentia "cheia" (a palavra é feia mas é a mais verdadeira). Acordei mais tarde, tive que correr mais do que o normal para fazer as tarefas da manhã. Enfim, a tarde seguiu com outros atropelos e cá estou eu começando a escrever às 10h da noite.
Puxa! Que desabafo, heim?
Pensando bem, quem lida com o tempo dessa maneira tem mais ou menos chances de agir com equilíbrio na hora de alimentar? Em que momento do dia eu poderia frequentar uma academia?
Meu corpo estaria ficando mais "estressado" em função da incerteza quanto à chegada de alimento e repouso?
Pensei por associação na seguinte situação: Quando estou para tirar férias e não sei o dia certo em que poderei me afastar da empresa, fico muito ansiosa. Acontece também de estar esperando receber um dinheiro em uma data e meu cliente não fazer o pagamento. Fico muito insegura se ele vai de fato pagar na nova data combinada.
Acho que meu corpo pode estar sofrendo mais do que eu imaginava...
Essa maleabilidade com os horários pode ser a causa de uma desordem na demanda por alimento. Mais ou menos assim: "não sei quando e nem quanto terei, então vou pedir mais do que preciso para evitar que falte".
Em comércio essa é uma premissa muito comum. Tem a sua aplicação.
Poderia o corpo ter uma lógica assim também? Uma inteligência desconhecida da razão?
Mais perguntas...
Até amanhã! Vou deitar-me mais cedo, começando a testar a minha hipótese.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Minha lista de perguntas difíceis

Quando fiz perguntas sobre os momentos especiais no post de ontem, entendi que minhas questões mais importantes estão para ser escritas. Engraçado, elas começam a se esboçar e rapidinho somem.
Vou começar...

Para que eu quero emagrecer?
Se imagino muitos benefícios estando mais magra, qual o valor de estar gorda?
O que vou ganhar perdendo quilos?
Emagrecer é só perder quilos ou tornar-se uma pessoa diferente?
O que sinto quando tenho fome?
Por que uma porção de amendoim torrado é tão arrebatadora?
Quando devoro 3 porções de amendoim, estou ganhando o que? Estou perdendo o que?
O bem estar de comer bolo quente, pão doce, guloseimas, pode ser comparado ao prazer de movimentar o corpo livremente?
O que gosto de comer?
O que não gosto?

Às vezes penso que emagrecer é mudar o comportamento, às vezes acho que é construir uma identidade diferente.
Considero-me bastante íntima dos meus sentimentos. Pareço ter uma visão clara das minhas motivações ou dificuldades. Gosto da minha habilidade de alçar vôos pelo pensamento. Gosto também de mergulhar nas cavernas mais profundas, em busca de um detalhe que pode fazer diferença. Enfim, acho bacana ser capaz de compartilhar minhas reflexões com sinceridade.
Tudo isso me faz indagar: por que a resistência em abrir mão do excesso de comida?

A partir de hoje vou tentar responder minhas perguntas. Estou tentando chegar mais perto do meu objetivo inicial.
Continuo me pesando regularmente. Não emagreci e nem engordei. Quem sabe esse já é um ganho?
Até amanhã!

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Vida adulta

Amanhã a Júlia faz 18 anos. Parece que foi ontem. A barriga, o enxoval, o quartinho bem montado, o parto, os cuidados, o aniversário de 1 ano. Foi uma festa linda de Papai Noel. Depois a escolinha, a leitura e os dentes cairam. Sempre vibrei com cada acontecimento. Contava para meus amigos os casos dela com tanto entusiasmo, que os acontecimentos naturais pareciam notícia de jornal.
O tempo foi um bom aliado. Curti, junto com o Fernando, cada etapa. Comemoramos os aniversários, as apresentações de balé, as festas juninas. Sempre tinha lágrima e aplauso guardados para esses momentos. Primeira comunhão, quinta série, primeira menstruação... Até que chegou a primeira saída à noite, o carnaval e o beijo inaugural. Quando ela me contou, detestei saber. Respondi secamente que mãe não é a melhor amiga. Veio a certeza que ela sabia fazer as próprias escolhas. Então, comecei a perder aquele espaço tão grande na vida dela.
Foi difícil vê-la com o primeiro namorado. Do pescoço para cima o discurso estava pronto: "é normal, está na hora, ele é um bom rapaz". Meu coração contrariava tudo isso. Ficava com ciúmes cada vez que ela se afastava de nós.
Mas o Dr Chronnus (o tempo) é o especialista de todas as causas. Hoje, estou feliz por ver uma moça inteligente, sensível, delicada, responsável, divertida e amorosa nascida e crescida no nosso lar. Ela está apta a levar ao mundo um pouquinho dos valores que cultuamos.
Certa vez, li que a forma ideal de melhorar o mundo é cuidar bem dos filhos. Concordei e apliquei. Valeu à pena toda a dedicação. Isso significou abrir mão de muitas coisas. Aprecio, agora, os frutos dessa escolha. No meu dia a dia existe respeito, gentileza, generosidade. Isso basta para que eu afirme: Deu certo!
Tem conflito, luta, dificuldades também. Porém, à cada noite, quando nos encontramos, a energia se renova. Minhas esperanças reacendem com as nossas conversas.
Quando fecho os olhos para pensar no futuro, penso que já cheguei lá. Estar em paz, vivendo amorosamente com as pessoas que me rodeiam, para mim, é a meta mais nobre para uma vida.
Quero conquistar alguns bens materiais e fazer viagens. Mas, o bem mais precioso acho que conquistei: minha família é um grupo de pessoas de bem.
Até amanhã!

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

A grande família

Hoje é dia da Grande Família. Confesso que esses é um dos meus vícios. Está à cada pior, mas não resisto. Adoro assistir Nenê, Lineu e seua agregados. Ora me identifico com um, ora com outro. O fato é que sou fiel, toda quinta estou aqui, firme e forte, estando o episódio bom ou ruim.
Voltei.
Mais uma vez o acaso atrapalha a realização do sonho de dona Nenê. Ela lamenta, mas se conforma. Continua a mãe disposta a ceder tudo em prol do bem estar de todos.
Qual a medida ideal do ceder e do lutar?
Trabalhei por 10 horas seguidas. Sem intervalo. Foram alguns cafés e 15 minutos de almoço. No meio da tarde achei que não conseguiria continuar. Renunciei ao desejo de vir em casa, persisti firme até o fechamento, às 19h. Terminado o expediente, fiz compras, dei alguma assistência às minhas filhas.
Minha grande questão: como posso ser tão persistente no trabalho e ceder tão facilmente quando o assunto é organização da alimentação?
Vou tentar dormir com esse barulho...
Espero ter leitores tão fiéis como sou à Grande Família!
Até amanhã!

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Voltando a andar com leveza

Há alguns dias disse uma frase agressiva a alguém que muito admiro. Numa discussão, ela alterou a voz, e eu, revidei. Na hora funcionou como um bom desabafo, afinal, ficar com aquela cara de ah! éé? Ou com sensação de sapo entalado na garganta deixa mal qualquer cristão.
Horas depois, sabia que tinha sido injusta e essa certeza foi pior do que a perspectiva de calar ante a irritação da outra. Hoje resolvi esse assunto. Olhei nos olhos, disse que errei e pedi desculpas. Minha amiga  sabia que eu não acreditava no que tinha dito. Então, rimos e festejamos a reinauguração do nosso diálogo.
Já ouvi pessoas dizendo "o perdão é um presente que a gente se dá". Quando tive a oportunidade de sentir os efeitos dessa crença, vi o quanto é verdadeira. O fato de hoje foi bacana, mas não foi a primeira vez que experimentei esse alívio. Ser perdoada é bom, perdoar é maravilhoso.
Não há aqui nenhum sentido religioso. Me refiro ao ato de perdoar como uma chance de restaurar a esperança. Sem perdoar, ficamos amarrados a uma situação e temos dificuldade de caminhar. Quando tentamos, o peso daquela lembrança dificulta os passos. Questão resolvida, abandonamos o peso inútil na beirada da estrada e voltamos a andar com leveza.
Até amanhã!

domingo, 28 de novembro de 2010

Ter problemas é muito precioso!

Acabo de assistir "MAR ADENTRO" com Javier Barden. O bonitão de Comer, Rezar e Amar e o psicopata de cabelo indefinível de Onde os fracos não têm vez (Oscar de melhor ator 2009).
Quer amar a vida e todos os desafios que ela lhe proporciona? Assista também.
Ter problemas é uma sorte! É oportunidade de pensar, de experimentar, de buscar e de insistir. Enfrentá-los é privilégio de quem está vivo e consciente.
O tempo é o presente mais precioso que temos, usá-lo com sabedoria é a melhor forma de honrar quem nos ofereceu.
O filme trata da vida de um tetraplégico que luta pelo direito de morrer. A história é contada com tanta delicadeza que produz só encantamento, nenhuma tristeza. Ele é um homem cercado de amor e de amigos, é inteligente, sensível, bem-humorado, mas tem o desejo profundo da liberdade. Assim, viver sem a possibilidade de movimentar-se virou uma obrigação insuportável. Esperou por 28 anos, na cama, sem movimento de tronco, braços e pernas, por uma permissão judicial para tirar a própria vida. O final? Não conto, vale à pena assistir. Acho que você vai chorar lágrimas fininhas... Silenciosas... Então vai ter paixão por estar vivo e ser livre.
Não me atrevo a entrar no mérito jurídico ou filosófico da questão. Admirei os detalhes do roteiro e, no fim das contas, achei lindas as histórias de todos os personagens. A movimentação da câmeras me convidou a sentir o mundo na pele do Ramón, personagem privado da autonomia, da liberdade de ir e vir, da intimidade e, por fim, do direito sobre a própria vida. O Estado negou-lhe o direito de morrer sem incriminar um possível colaborador.
O assunto eutanásia poderia ficar batido, mas o diretor aborda com tanta fineza, que senti uma mistura de alegria e gratidão por viver. Aliás, acho uma caretice danada tentar encaixotar um filme dentro de uma categoria e de um tema. Coisa do tipo: um drama sobre a eutanásia. Isso é reducionismo puro.
Cada filme pode entrar nos cantinhos da alma e sensibilizar diferentemente um a um. No meu caso, fiz uma costura muito pessoal do filme com a minha obesidade. Ramón perde os seus movimentos em um acidente. Os meus estão sendo prejudicados pelo excesso de peso, algo que tenho a  capacidade de agir para mudar.
Estou aqui tentando.
Até mais!

domingo, 21 de novembro de 2010

Pensar é salvar-se

Foi muito interessante escrever com sinceridade sobre minha depressão e o tratamento. Apesar de ver a doença como qualquer outra, acho que guardava um pensamento mágico sobre ela. Algo como: "se eu falar ou pensar muito sobre esse assunto, eu posso me sentir pior, então estarei mais deprimida."
Penso que estabeleci esse fechamento porque, às vezes, ficava emotiva e chorava ao lembrar dos momentos mais intensos da doença.
Mas, cutucar o assunto e criar a coragem para entrar nele de cabeça me trouxe algumas conquistas práticas:
  1. Falar sobre a depressão não me  deixou mais deprimida, ao contrário, fiquei mais leve. Diminuida a bagagem do medo, estou mais animada para caminhar. Estou salva, a onda pode vir que eu, pensando, posso flutuar.
  2. O tratamento para depressão não pode ser apenas o uso do medicamento. Vi que nenhum daqueles que usei, foi capaz de me fazer sentir bem como agora. Continuo seguindo o tratamento medicamentoso, mas encontrei um caminho muito prazeroso, o ato de escrever diariamente.
  3. Escrever em nesse blog não está sendo uma atividade apenas intelectual. É uma troca diária de carinho com minhas amigas de muitos anos e aquelas que chegaram porque se tornaram leitoras. Reencontrei primas, colegas de escola, conterrâneas que estão longe e todo dia tenho a alegria de receber um telefonema, um recadinho no email, no orkut, no celular. Blogar é troca de afeto, é amizade, é humildade.
  4. Criei uma linha do tempo para relembrar como suspeitei da depressão e quando comecei a tratar. Há uma relação direta entre a manifestação dos sintomas de uma e da outra. Portanto, para emagrecer, não vou continuar o jogo do faz de conta que uma não coisa não tem nada a ver com a outra. Preciso do ânimo para tratar de dois problemas.
  5. Por último, criei coragem para ter uma conversa olho no olho com a ansiedade. Acho que ela estava na frente de tudo e provocou muitos estragos no meu tempo. Olhando para ela com severidade, mostrei que eu estou no comando. No popular, dei um "chega prá lá na menina". Por isso estou aqui, agora, bem no presente, teclando devagarzinho, sentindo paz.
Estou mais preparada para ir adiante na empreitada de emagrecer e me curar. Estou feliz.
Até!

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Sei que me sondas. Sei que me amas.


Costumo usar a imagem das frentes frias para explicar a chegada e a saída das crises de depressão. É a metáfora perfeita para essa vivência. Chega uma nuvem e quase não dou atenção porque a maior parte do céu está azul. Lentamente, outras vão chegando, condensando, até deixar o sol totalmente encoberto. O tempo fica cinzento e, algumas vezes, ocorrem fortes tempestades.




Com o uso do medicamento certo, as nuvens vão se afastando, bem aos pouquinhos, até que um pedacinho do azul do céu se mostra. Parecendo uma mágica, elas se afastam cada vez mais rápido e chega  o dia de pleno azul.


Há, para mim, nesse momento, uma diferença muito bacana no ciclo.
Não, não, não, não... Não pensem em euforia ou em estado maníaco! Estou apenas mais lúcida do que costumava ficar ao sair dos períodos depressivos. O diagnóstico da moda para os psiquiatras é a bipolaridade. Cuidado se algum deles resolver receitar medicamentos para esses casos. Tive uma labirintite induzida por remédio errado e paguei caro.

A diferença desse momento é o esvaziamento da ansiedade. Sem a pressa permanente e infundada, posso alegrar ou sofrer, rir ou chorar, xingar ou elogiar, tudo no seu momento e com uma intensidade proporcional aos fatos.
Mas, minha proposta inicial era escrever sobre obesidade e depressão. Nos últimos dias inverti completamente a ordem. São as surpresas do caminho... Estava certa que as encontraria.
Numa bela manhã ensolarada, entendi que minha obesidade poderia, sim, estar associada à ansiedade e à depressão. Mas não sabia como se dava esse entrelaçamento. Também odiava a psicologização do tema, ao estilo de programa de auditório das tardes, dos canais de tv superpopulares.
Precisei escrever para pensar.
Nada está concluido, mas sinto a certeza que toquei a borda de vários temas e agora encontrei a minha trilha.
Fico muito emocionada quando escuto aquela música:
"Senhor, eu sei que Tu me sondas, Senhor eu sei que Tu me amas"
Soa assim: Ele me conhece profundamente e, sabendo das minhas belezas e tristezas, me aceita. Pois bem, eu que sou muito menor do que o Espírito que habita todas as coisas, posso também conhecer minha depressão com profundidade e me amar. Isso é curar. "E tudo mais será acrescentado".
Você também pode!
Até.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Preciso voltar para conseguir ir adiante

O post de ontem me pareceu confuso, embora eu tenha esforçado muito para fazer entender a importância dos acontecimentos.
Preciso voltar para conseguir ir adiante.
Recolhi do texto a frase: "Um ciclo vicioso não foi iniciado". Ela indica que algo novo aconteceu, embora sem a minha participação voluntária. Não sei explicar como e nem por que, mas ontem, uma experiência negativa não me conduziu a um estado negativista. Pode ser normal para a maior parte das pessoas. Porém, quando estamos falando de depressão, isso não é tão simples assim.
Há pouquíssimo tempo, um desconforto como o de ontem poderia virar um mal estar emocional generalizado. Da irritação para a culpa, angústia, raiva, pessimismo até o estado depressivo, o passo era curto.
Não deliberei. Não me impus um limite, do tipo: "estou apenas irritada com esse problema, assim não preciso sofrer mais do que o necessário."
Simplesmente aconteceu diferente e a partir dessa boa reação passei a esperar que seja sempre assim daqui para frente.
Uma hora de reflexão diária ou de meditação poderiam ser esse tipo de experiência tão transformadora na vida? Então, onde eu estava antes?
É uma habilidade natural, presente do tempo?
A independência dos sentimentos é uma conquista ou evolução natural?
Dúvidas boas de cultivar.
Espero ter muitas companhias nessa caminhada.
Até amanhã.

Ops! Continuo tranquila e feliz!

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Um pouco menos de ansiedade

Pretendo refletir um pouco mais, penso que é uma boa maneira de ter um pouco menos de ansiedade.
Queria contar o meu dia, pois foi bom relembrar os fatos e identificar como meus sentimentos estão mais independentes.
Pode parecer meio confuso, mas acho que vou conseguir esclarecer como a habilidade de "dar o nome certo aos bois", está me ajudando a vencer a depressão.
Voltando aos fatos, fiquei muito irritada com os acontecimentos de hoje na empresa. Funcionários faltaram e não consegui fazer nada do que era necessário. Como um problema costuma vir com outro de mãos dadas, o computador estragou e tive que enfrentar aquelas filas de banco, depois de feriado na segunda. Para arrematar, um erro de procedimento de uma moça trouxe mais um prejuízo. O aluguel disparou...
Deixando o desabafo de lado, o que está me chamando a atenção é que a irritação de hoje não se transformou em ansiedade. Não se desdobrou em mal humor. Não se juntou com a raiva. O mal estar do dia não produziu ecos e não chamou ningúem para partilhar o desgosto. Nesse momento estou calma, centrada, atenta ao que estou fazendo. Sequer estou "pensando positivo", recitando o mantra que amanhã tudo estará bem. Isso também seria ansiedade.
Qual a importância disso?
Para quem sofre e trata de depressão, faz uma diferença danada. Um ciclo vicioso não foi iniciado. Fiquei irritada, naquela hora, com razão e por motivos justos. (PONTO). Passaram as emoções assim que terminaram os fatos geradores.
Vou tentar fazer uma comparação para clarear o assunto. Imagine que uma pessoa tenha uma infecção e uma doença oportunista se junta ao quadro. Então é necessário o repouso, mas a coluna que já estava doendo piora e o pulmão junta água. O coração fica fraco e o rim padece. Em poucos dias temos um quase morto.
A depressão, no meu caso, ocorreu de forma parecida. Ansiedade no começo, irritação, depois exaustão. Queda de capacidade de pensar, memorizar. Mais ansiedade. Pensamentos derrotistas começaram a pipocar e aí a coisa desandou. Mais ansiedade. Insônia, dores. Mais ansiedade, afinal precisava dormir.
Tenho motivos para esperar que essa independência dos sentimentos possa continuar acontecendo e me beneficiando daqui para frente.
Refazer esse caminho é uma redenção. Estou abandonando o medo de me expor e já é um ganho viver com menos medo. Depois, penso que ao partilhar minha história posso levar um certo conforto a quem tem ou teve sofrimento parecido. Para terminar, é muito bom sentir o carinho de quem torce pelo bem.
Até!

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

VENCENDO A ANSIEDADE

Percebo uma psicologização da obesidade. Sempre deparo com a pergunta: "Você é ansiosa?" quando menciono o excesso de peso.
De fato, sou. Ou, fui.
O ato de escrever diariamente tem sido a atividade mais redentora de toda minha vida. Simples assim? Sim.
Essa hora em que fico íntima de mim, estende seus efeitos e a cada dia estou mais tranquila. Ás vezes acho engraçado sentir tanta serenidade. Olho um pouquinho para trás e vejo-me, logo ali, tão pertinho, tão ansiosa, preocupada, ausente do presente, a mente sempre distante.
Coincidentemente, hoje faz dois meses que comecei a postar. Sinto-me completamente diferente. Estou alegre, mas sem exaltação, agradecida, vendo as situações chatas do dia a dia com bom humor. Eu definiria essa caminhada como um milagre.
Esse é um presente maravilhoso para quem conviveu com sintomas depressivos ao longo de dez anos. Continuo seguindo as indicações médicas normalmente, porém, percebo uma melhora diferente. Nenhum outro tratamento tentado antes proporcionou-me o alívio que estou sentindo.
Mas a dieta...
Diria que não tenho nenhum sinal de ansiedade ou depressão nesse momento. Ainda assim não consegui fazer um dia de dieta até hoje. Então, obesidade e ansiedade andam juntas? Tem razão de haver essa associação entre os dois sintomas? Justifica psicologizar a obesidade?
Nesse momento estou achando que não. Foi-se a ansiedade e ficaram os hábitos errados.
Hoje foi feriado, um motivo a mais para adiar para amanhã.
Entre uma atividade e outra na casa, fiquei distraida com os enfeites de Natal e não fiz do dia de folga um motivo para devorar guloseimas o tempo todo.
Estou aprendendo a comemorar essas pequenas vitórias. Acredito que elas sejam o anúncio de um novo tempo para mim.
A propósito, tenho feito meditação ao menos três vezes por semana. Hoje recebi um um link com uma orientação muito bacana para relaxar. Vale à pena conferir e bom resultado a quem tentar.

http://sonora.terra.com.br/#/cd/46779/meditacao_e_relaxamento

Até amanhã

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

16 de setembro de 2010

Como a história do blog começou...
No último fim de semana fizemos um festival de cinema em casa. Eu, Bruna e Fernando fomos à locadora e cada um escolheu seus filmes. Trouxemos sete opções. Escolhemos um fim de semana na frente da TV, com muita pipoca, coca-cola e emoção.
 Começamos a jornada com JULIA AND JULIE no sábado à noite.
Passamos para QUEIME DEPOIS DE LER;
Então embarcamos em MELINDA E MELINDA e encerramos o domingo com CAINDO FORA.
Para ter tempo de digerir e poder saborear cada obra paramos...
Na segunda recomeçamos com A PROVOCAÇÃO.
Cinco filmes com diretores, elenco, linguagens, roteiros completamente distintos. Alguns foram escolhidos por mim, outros pelo Fernando. Buscas completamente intuitivas, nenhuma indicação. Mas no silêncio de uma meditação passeei pelas histórias e vi um fio sutil que as ligava. Havia em cada uma delas um escritor. Um personagem que precisava recorrer à palavra escrita para encontrar sentido pra vida, para ordenar seu mundo, para entender sua história, se divertir ou divertir os outros. Enfim, não me lembro dos motivos de cada um. Mas assisti a cinco histórias sobre escritores.
Achei a coincidência muito significativa. Quando estabeleci essa ligação entre as histórias mudei... Nasceu uma coragem repentina, uma certeza absoluta que eu deveria escrever. Um arrebatamento, um desejo tão profundo e mais uma vez a intuição, a certeza, sem validações, que escrever pode me ajudar tratar dos dois dilemas (ou doenças?) que me perturbam.
Daí a junção das pontas: filmes, escrita, obesidade, depressão, blog...
Então, volto a JULIA AND JULIE e me valho da ajuda da culinária: vou tentar misturar esses ingredientes e criar um bom prato. Vamos ver se será uma boa receita. O importante é que seja ... diet.
Decisão tomada, ação iniciada...
Estou sentindo uma paz profunda, uma clareza de idéias e sentimentos que poucas vezes experimentei.
Acho que ainda preciso voltar a JULIA AND JULIE