Adoro ter a minha idade atual. Não sei se gostarei das próximas, mas estou amando olhar para todos os fatos com olhos de 42 anos. Tantas situações me aborreciam. Olhava para o futuro com apreensão, achando que deveria cumprir uma lista interminável de requisitos para ter direito à felicidade.
Hoje, sou feliz quando quero. Os acontecimentos podem facilitar ou dificultar, mas não podem determinar. O "tem que" está escasseando até no meu jeito de falar. Se isso está parecendo delírio, principalmente para uma mulher moderna, não é. Estou fazendo escolhas. Se tenho que fazer uma coisa, abro mão de outra, com boa vontade.
Brinquei muitas vezes que nunca tinha lido os clássicos Pollyanna e Pollyanna Moça. A história da garota que sabia fazer o jogo do contente. Por mais cruel que pudesse parecer um fato, ela conseguia sentir esperança e ver bondade. Fez falta essa capacidade aos 20 e aos 30. Tornou-se dispensável aos 40. Tudo ficou mais suave, de maneira que não preciso me exercitar para ver o bom e o belo de cada experiência.
O tempo foi habilidoso me presenteando com oportunidades de abrir mão do orgulho e da vaidade. Pouco a pouco, vi que o prazer de "alfinetar" ou de "responder à altura", é muito menor do que o de rir das pequenas contrariedades. Elas estão lá, todos os dias. Mas, não reverberam. Aprendi alguns recursos: de vez em quando um palavrão, um chega prá lá, um "tô nem aí". Passa... Se fica, convido para conversar e pergunto o que espera de mim. Se a exigência é razoável, cedo para ficar em paz. Caso contrário, boto pra correr.
E a tolerância? Sabe a história de precisar de alguma coisa para ontem? Sumiu. Depois desse tempo de vida, já tive que fazer tantas concessões ou substituições que os problemas não são mais que desafios.
Melhor de tudo é ter outra vida para aproveitar. Calma! Não estou falando de reencarnação! As gerações de 40 anos atrás, tinham uma expectativa de vida muito menor, parece que nos anos 60 as brasileiras viviam, em média, 50 anos. Assim, uma balzaquiana era uma senhora. Uma quarentona, idosa. Viver de cinquenta a sessenta anos era sorte, capricho da genética, ou um grande azar, porque a qualidade de vida e a saúde eram péssimas.
Houve uma inversão bacana. Aos quarenta, eu e minhas amigas temos o mesmo vigor dos vinte e um jeito mais sábio de viver. Mesmo quando há doenças, as possibilidades de sobrevida com bem estar, são infinitamente maiores. Bom, o corpo carrega as marcas do tempo. As feridas dos combates, os sinais do quanto sorrimos ou choramos pela estrada afora. Acho que é por isso que amo minhas rugas. Quando me olho em um espelho de mão, com a ponta do indicador vou percorrendo suas trilhas. Estão indo cada vez mais longe. Eu, cada vez mais encantada com elas.
Acho Adélia Prado liiiinda! Os cabelos brancos, o rosto sulcado e a sabedoria tão visível, possível de ser tocada.
Estou em paz com o tempo. Espero a ajuda dele para emagrecer. Para convencer-me a mastigar lentamente, fracionar minhas refeições, escolher o que é mais saudável e por fim, trocar um pouco das horas na empresa por uma caminhada.
Até amanhã!
Uma conversa sobre emagrecimento e desafios da vida moderna, ilustrado com dicas de cinema e de leitura.
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quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
Meditar
Acabo de meditar. Quem convive comigo, no trabalho principalmente, não consegue me imaginar de olhos fechados, quieta e silenciosa.
Ouvindo uma música bem baixinha e um livro nas mãos, inicio a minha prática. Leio um pouco e, lentamente, vou me desligando dos estímulos externos. Algumas vezes é demorado, minha mente tenta, pelo movimento rápido dos pensamentos, manter-se ocupada e no poder. Noutras ocasiões é tranquilo. Sento-me sempre no mesmo lugar, repito as músicas e desse modo facilito o meu próprio entendimento da hora de aquietar. Parecido com a mãe que veste o pijama e escova os dentes da criança para sinalizar que está na hora de ir dormir.
Conseguindo parar de pular de pensamento em pensamento, nasce um silêncio muito agradável. Em várias ocasiões, sinto uma energia amorosa, linda. Nesse estado vou apenas agradecendo por existir.
Repito AGRADECIDA... Mais lentamente A G R A D E C I D A... E mais uma vez.
Até que as palavras somem, tornam-se desnecessárias. Todas elas.
A gratidão vira uma espécie de alegria ou paz ou qualquer outra palavra, se é que exista, que possa significar um bem estar profundo. Desse estágio em diante só consigo me recolher dentro de uma certeza: Deus está em mim e eu nEle.
Silêncio
Quietude
Permaneço nesse encontro e retorno suavemente ao mundo dos sentidos. Sem susto e sem pressa.
Hoje, compartilho com vocês, leitores, esse estado do bem. É minha forma singela de dizer obrigada pela sua preciosa companhia.
Até amanhã!
Ouvindo uma música bem baixinha e um livro nas mãos, inicio a minha prática. Leio um pouco e, lentamente, vou me desligando dos estímulos externos. Algumas vezes é demorado, minha mente tenta, pelo movimento rápido dos pensamentos, manter-se ocupada e no poder. Noutras ocasiões é tranquilo. Sento-me sempre no mesmo lugar, repito as músicas e desse modo facilito o meu próprio entendimento da hora de aquietar. Parecido com a mãe que veste o pijama e escova os dentes da criança para sinalizar que está na hora de ir dormir.
Conseguindo parar de pular de pensamento em pensamento, nasce um silêncio muito agradável. Em várias ocasiões, sinto uma energia amorosa, linda. Nesse estado vou apenas agradecendo por existir.
Repito AGRADECIDA... Mais lentamente A G R A D E C I D A... E mais uma vez.
Até que as palavras somem, tornam-se desnecessárias. Todas elas.
A gratidão vira uma espécie de alegria ou paz ou qualquer outra palavra, se é que exista, que possa significar um bem estar profundo. Desse estágio em diante só consigo me recolher dentro de uma certeza: Deus está em mim e eu nEle.
Silêncio
Quietude
Permaneço nesse encontro e retorno suavemente ao mundo dos sentidos. Sem susto e sem pressa.
Hoje, compartilho com vocês, leitores, esse estado do bem. É minha forma singela de dizer obrigada pela sua preciosa companhia.
Até amanhã!
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
A grande família
Hoje é dia da Grande Família. Confesso que esses é um dos meus vícios. Está à cada pior, mas não resisto. Adoro assistir Nenê, Lineu e seua agregados. Ora me identifico com um, ora com outro. O fato é que sou fiel, toda quinta estou aqui, firme e forte, estando o episódio bom ou ruim.
Voltei.
Mais uma vez o acaso atrapalha a realização do sonho de dona Nenê. Ela lamenta, mas se conforma. Continua a mãe disposta a ceder tudo em prol do bem estar de todos.
Qual a medida ideal do ceder e do lutar?
Trabalhei por 10 horas seguidas. Sem intervalo. Foram alguns cafés e 15 minutos de almoço. No meio da tarde achei que não conseguiria continuar. Renunciei ao desejo de vir em casa, persisti firme até o fechamento, às 19h. Terminado o expediente, fiz compras, dei alguma assistência às minhas filhas.
Minha grande questão: como posso ser tão persistente no trabalho e ceder tão facilmente quando o assunto é organização da alimentação?
Vou tentar dormir com esse barulho...
Espero ter leitores tão fiéis como sou à Grande Família!
Até amanhã!
Voltei.
Mais uma vez o acaso atrapalha a realização do sonho de dona Nenê. Ela lamenta, mas se conforma. Continua a mãe disposta a ceder tudo em prol do bem estar de todos.
Qual a medida ideal do ceder e do lutar?
Trabalhei por 10 horas seguidas. Sem intervalo. Foram alguns cafés e 15 minutos de almoço. No meio da tarde achei que não conseguiria continuar. Renunciei ao desejo de vir em casa, persisti firme até o fechamento, às 19h. Terminado o expediente, fiz compras, dei alguma assistência às minhas filhas.
Minha grande questão: como posso ser tão persistente no trabalho e ceder tão facilmente quando o assunto é organização da alimentação?
Vou tentar dormir com esse barulho...
Espero ter leitores tão fiéis como sou à Grande Família!
Até amanhã!
terça-feira, 19 de outubro de 2010
A cauda abanando o cachorro
Hoje acordei com uma vontade danada de ser a dona da minha casa. Posso explicar...
Normalmente, meu corpo está em um lugar e meus pensamentos em outro. Paro para descansar um pouquinho e os alertas internos disparam. "Tenho que" é a expressão preferida deles. Ela faz sua aparição humilde assim: Tenho que colocar água na planta, pensar no almoço... Vai ficando mais complexa: Tenho que marcar médico, levar as meninas ao dentista, arrumar a estante, comprar o presente de fulano... Vai sofisticando: Tenho que comprar aquela tv, viajar no próximo feriado, mudar a decoração do quarto... Adeus paz!
Levanto, procuro alguma coisa para fazer. Nesses momentos deixo de sentir dona de mim.
Há ainda a multiplicação exagerada de pensamentos. Muito barulho interno por conta do diálogo entre minhas idéias. Minha mente é daquelas faladeiras! Ela cria, relembra e transforma situações por puro deleite. Se antecipa aos problemas, vibra com desafios, busca novidades e sensações o tempo todo. Isso cansa, rouba energia e afasta o silêncio. Penso que contribui para me tornar ansiosa e comilona.
Quando converso com outras pessoas, vejo que essa inquietação é comum. Mesmo não percebendo, atravessam o bate papo e não se aquietam para ouvir. Sinal claro que não estão presentes porque a mente está fabricando ou ruminando pensamentos.
É engraçado como as coisas vão se transformando com o uso que fazemos delas. A nossa mente é um recurso para nosso processo de evolução na vida. Assim como nossos sentidos físicos, afetos, a intuição e a espiritualidade. O uso intensivo fez dela uma ferramenta muito potente. Com toda potência parece ter conquistado autonomia e hoje nos governa. Conhece aquela história da cauda que passa a balançar o cachorro ao invés dele balança-la?
Hoje passei o dia me relembrando que eu sou a dona dessa casa que é a minha vida.
Meu mantra: a mente é parte do que sou, por isso não deve ter o comando solitário de mim.
Você também sofre da multiplicação incessante dos pensamentos? Experimente voltar para si, observar-se internamente. Surge um vazio proveitoso e muito bem estar. É uma forma singela de meditar.
Normalmente, meu corpo está em um lugar e meus pensamentos em outro. Paro para descansar um pouquinho e os alertas internos disparam. "Tenho que" é a expressão preferida deles. Ela faz sua aparição humilde assim: Tenho que colocar água na planta, pensar no almoço... Vai ficando mais complexa: Tenho que marcar médico, levar as meninas ao dentista, arrumar a estante, comprar o presente de fulano... Vai sofisticando: Tenho que comprar aquela tv, viajar no próximo feriado, mudar a decoração do quarto... Adeus paz!
Levanto, procuro alguma coisa para fazer. Nesses momentos deixo de sentir dona de mim.
Há ainda a multiplicação exagerada de pensamentos. Muito barulho interno por conta do diálogo entre minhas idéias. Minha mente é daquelas faladeiras! Ela cria, relembra e transforma situações por puro deleite. Se antecipa aos problemas, vibra com desafios, busca novidades e sensações o tempo todo. Isso cansa, rouba energia e afasta o silêncio. Penso que contribui para me tornar ansiosa e comilona.
Quando converso com outras pessoas, vejo que essa inquietação é comum. Mesmo não percebendo, atravessam o bate papo e não se aquietam para ouvir. Sinal claro que não estão presentes porque a mente está fabricando ou ruminando pensamentos.
É engraçado como as coisas vão se transformando com o uso que fazemos delas. A nossa mente é um recurso para nosso processo de evolução na vida. Assim como nossos sentidos físicos, afetos, a intuição e a espiritualidade. O uso intensivo fez dela uma ferramenta muito potente. Com toda potência parece ter conquistado autonomia e hoje nos governa. Conhece aquela história da cauda que passa a balançar o cachorro ao invés dele balança-la?
Hoje passei o dia me relembrando que eu sou a dona dessa casa que é a minha vida.
Meu mantra: a mente é parte do que sou, por isso não deve ter o comando solitário de mim.
Você também sofre da multiplicação incessante dos pensamentos? Experimente voltar para si, observar-se internamente. Surge um vazio proveitoso e muito bem estar. É uma forma singela de meditar.
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