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sábado, 18 de dezembro de 2010

Uma bicicleta pode ser um veículo para conhecer o mundo

Assisti  no jornal nacional de hoje uma reportagem sobre o teatro de bonecos que está acontecendo em Brasília. Os espetáculos são muito interessantes. Nas montagens, os objetos têm funções totalmente originais e buscam resgatar a visão infantil das coisas. Quando somos crianças, olhamos para uma bicicleta e enxergamos um veículo para conhecer o mundo. Um baldinho virado transforma-se em um castelo ou um chapéu. A proposta de cada peça é  buscar uma forma de interação bem original entre os personagens e os objetos.
Na minha infância, um cabo de vassoura podia ser uma espada ao um cavalo. Latas vazias de extrato de tomate podiam virar tamancos. O mundo das possibilidades era criado e recriado, um exercício agradável e útil. Um galho de árvore, um andar mais alto de um prédio luxuoso.
Hoje me valho desse exercício criativo para inventar soluções para o dia a dia. Diante de uma situação problema tento pensar em três soluções possíveis, no mínimo. Aliás, esse era um desafio que um antigo chefe, muiiiiiiiiito antipático sempre me propunha. Na época eu odiava, mas hoje eu amo ter feito esse treino.
Um olhar e muitas possibilidades. Essa é a minha filosofia de vida. Por isso gostei tanto do teatro de objetos.
Voltarei um pouquinho no tempo, lá no meu primeiro post, para lembrar que cada obesidade é única, portanto, requer um olhar individualizado. Quando olho para a minha, vejo que aprendi a olhar para a comida e ver um brinquedo muito divertido. Recebo pessoas queridas sempre em torno de uma mesa posta. Comemoro as pequenas e as grandes conquistas brindando ou comendo um prato especial. Vejo que o objeto transformou-se em um símbolo muito mais importante do que deveria ser. Por isso o teatro de objetos chamou tanto a minha atenção.
Até amanhã!

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

O pensamento me faz bem ao coração

Ando relendo os posts desde o começo. Muitos questionamentos, algumas idéias originais, outras nasceram e não duraram. Tenho sido profunda, verdadeira, e amiga íntima dos meus sentimentos. Aqui eles podem ser e aparecer.
Quando escrevi sobre minha confusão entre liberdade e indisciplina, alcancei um nível de entendimento muito importante. Desde a data dessa postagem estou mais quieta, silenciosa e focada no objetivo de emagrecer. Considero um privilégio essa capacidade de refletir e ficar cara a cara com minhas dores existenciais.
Tem uma música do Zeca Baleiro que diz assim
"Tire o seu piercing do caminho
Que eu quero passar
Quero passar
Com a minha dor
...Eu existo porque penso
Penso porque existo"

Essa mesma letra fala "tristeza não é pecado", título de um dos meus posts.
O Toni Garrido canta (não sei quem é o autor):
"O pensamento
É o que me traz o livramento
O que me deixa positivo
E que faz bem ao coração"

É assim que me sinto. Aceito de boa vontade as dores da alma quando tenho a clareza da sua causa. Tomei um susto ao constatar que tenho um conjunto de maus hábitos para corrigir se quiser ter uma qualidade de vida melhor. Meu corpo se cansou e está reclamando os cuidados que venho lhe negando. Acreditando na autonomia, na independência, na liberdade para manejar meu tempo, tornei-me indisciplinada. Sem rotina para alimentar, dormir, descansar, esticar, respirar. A obesidade é só um dos sinais visíveis dessa inabilidade para seguir uma programação.
Estou de astral baixo, um leve mal estar, mas sem estar mal. Acho que é um estado natural de quem tem um grande compromisso pela frente: treinar hábitos novos, respeitar uma rotina, criar uma acordo de paz entre uma mente inquieta, que adora voar, com um corpo que está pedindo para ser bem tratado.
Assisti e li Fernão Capelo Gaivota, aos 12 anos de idade. Chorava ouvindo o LP e abraçada à capa, que tinha uma linda foto de praia. O personagem central tinha um apreço enorme pela liberdade e era totalmente desapegado das necessidades materiais. Ele não entendia como as outras gaivotas do seu bando podiam se ocupar apenas com a subsistência se tinham todo o céu para voar. Essas idéias produziram um eco forte na minha alma de adolescente. A lembrança, retratou com a melhor luz possível o quanto valorizei o lado filosófico ou imaterial da vida: os pensamentos, as idéias e os sentimentos. Descuidei do meu corpo como se ele tivesse menos valor do que minha mente.
A cisão entre corpo e mente nasceu, pelo menos em parte, da minha formação super católica. Fui uma maniqueísta convicta até pouco tempo atrás! O mundo era divididinho em gavetas. Acreditava na completa separação do bem e do mal, do bom e do ruim, do belo e do feio, enfim, do corpo e da mente!
Colocando o assunto em pratos bem limpos, na prática essa teoria toda funciona assim: sou capaz de trabalhar 10 horas seguidas e ainda cuidar da família, ler, blogar, informar, ver filmes, conversar... Porém, acredito que posso deixar para amanhã a caminhada, mas esse dia nunca chega. Todas as noites roubo "um pouquinho só" do tempo do sono. Horário certo para alimentar? Acho que nunca tive! E por aí vai a lista de descuidos, até chegar a dar o bolo na manicure, adiar o corte do cabelo...
Pensar dói! Mas é preferível ao conforto da ignorância.  
Até amanhã! Obrigada a quem chegou até aqui, partilhando minhas angústias. Estou aqui para fazer-lhe companhia quando você também quiser dar vez às suas dores.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Sei que me sondas. Sei que me amas.


Costumo usar a imagem das frentes frias para explicar a chegada e a saída das crises de depressão. É a metáfora perfeita para essa vivência. Chega uma nuvem e quase não dou atenção porque a maior parte do céu está azul. Lentamente, outras vão chegando, condensando, até deixar o sol totalmente encoberto. O tempo fica cinzento e, algumas vezes, ocorrem fortes tempestades.




Com o uso do medicamento certo, as nuvens vão se afastando, bem aos pouquinhos, até que um pedacinho do azul do céu se mostra. Parecendo uma mágica, elas se afastam cada vez mais rápido e chega  o dia de pleno azul.


Há, para mim, nesse momento, uma diferença muito bacana no ciclo.
Não, não, não, não... Não pensem em euforia ou em estado maníaco! Estou apenas mais lúcida do que costumava ficar ao sair dos períodos depressivos. O diagnóstico da moda para os psiquiatras é a bipolaridade. Cuidado se algum deles resolver receitar medicamentos para esses casos. Tive uma labirintite induzida por remédio errado e paguei caro.

A diferença desse momento é o esvaziamento da ansiedade. Sem a pressa permanente e infundada, posso alegrar ou sofrer, rir ou chorar, xingar ou elogiar, tudo no seu momento e com uma intensidade proporcional aos fatos.
Mas, minha proposta inicial era escrever sobre obesidade e depressão. Nos últimos dias inverti completamente a ordem. São as surpresas do caminho... Estava certa que as encontraria.
Numa bela manhã ensolarada, entendi que minha obesidade poderia, sim, estar associada à ansiedade e à depressão. Mas não sabia como se dava esse entrelaçamento. Também odiava a psicologização do tema, ao estilo de programa de auditório das tardes, dos canais de tv superpopulares.
Precisei escrever para pensar.
Nada está concluido, mas sinto a certeza que toquei a borda de vários temas e agora encontrei a minha trilha.
Fico muito emocionada quando escuto aquela música:
"Senhor, eu sei que Tu me sondas, Senhor eu sei que Tu me amas"
Soa assim: Ele me conhece profundamente e, sabendo das minhas belezas e tristezas, me aceita. Pois bem, eu que sou muito menor do que o Espírito que habita todas as coisas, posso também conhecer minha depressão com profundidade e me amar. Isso é curar. "E tudo mais será acrescentado".
Você também pode!
Até.